Padrão comentado da raça Lhasa Apso


TEMPERAMENTO: é muito importante esclarecer-se o real sentido das palavras usadas no padrão, que aparentemente podem parecer até contraditórias, principalmente no caso de alegre e reservado: o termo reservado não deve sugerir de forma alguma o sentido vicioso de tímido, medroso ou assustado; Não devemos esquecer as origens e as funções desta raça como cão sentinela , devendo, portanto, ser cauteloso com estranhos para sua auto-proteção e de seu dono. 0 termo estável deve ser considerado também, que em seu lar é um cão tranqüilo e jamais impertinente, sabendo perfeitamente os momentos em que deve ser efusivo ou afastado.

CABEÇA E CRÂNIO: assim como no restante do corpo a pelagem deve ser densa, longa e caída; é possível encontrar-se cães, p. ex., que possuam uma pelagem de bigodes mais curta cabe-nos verificar se este fato ocorre por uma falta de grooming ou se é realmente uma falta genética do exemplar. A forma e proporções da cabeça são fundamentais para a tipicidade do animal; alguns termos são bastante vagos como "perfeitamente plano", "stop moderado", mas é preciso ter-se em mente que a cabeça do L.A. deve parecer sempre muito gentil, dando a impressão inquisitiva e colaborativa com seu dono. A dimensão aproximadamente 4 cm (1 1/2 polegada) foi inserida no padrão para poder-se melhor fixar as características de tamanho e proporção (que serão descritas adiante) da cabeça e do corpo da raça e que a distingue de outras assemelhadas ou de origem em próxima. É também de grande valia a analise detalhada das figuras adiante, com a comparação das cabeças do Lhasa Apso, Shih Tzu, Tibetan Terrier e Tibetan Spaniel, que demonstram melhor que 1000 palavras as referidas diferenças.



Estudo das cabeças de cães das raças Tibetan Terrier, Lhasa Apso, Shih Tzu, Tibetan Spaniel

A trufa deve ser invariavelmente preta; alguns cães costumam ter uma despigmentação do nariz em certas épocas do ano possivelmente pela diminuição da insolação nesta épocas; o criador deve analisar esta característica em conjunto com a pigmentação de outras partes do corpo do animal (pálpebras, pele, almofada plantar; gengivas) para avaliar sua utilização na reprodução. O termo não quadrado indica que o focinho, seja visto de perfil ou de cima não de e ser quadrado, devemos cuidar para não sermos confundidos pela pelagem.

OLHOS: em sintonia com o tópico acima, os olhos do Lhasa Apso típico o diferencia de outras raças. Os olhos devem ser um pouco amendoados dando-Ihe um aspecto oriental, os olhos devem ser escuros e, apesar de alguns exemplares mais antigos possuírem olhos mais claros, consideramos isto como falta e estes animais não devem ser utilizados para reprodução. A observação de não mostrar o branco, na última revisão do padrão, veio fortalecer a importância dos olhos no conjunto da cabeça. A posição dos olhos também exerce grande importância no conjunto, não devem estar demasiadamente próximos um do outro. Obs.: A raça Lhasa Apso não é classificada como possuidora de problemas de saúde nos olhos.

ORELHAS: A inserção das orelha é na altura dos olhos e seu comprimento até a superfície inferior do maxilar inferior.

BOCA: O último padrão FCI (inglês) propositalmente adotou o termo "boca" para com isso reduzir a importância da posição relativa dos dentes evidenciando a posição dos maxilares e aparência geral do focinho, o leve prognatismo inferior é a articulação desejável podendo-se chegar até a tesoura, mas um forte prognatismo inferior é tão indesejável quanto o prognatismo superior excessivo. 0 comentário dos incisivos tão em linha reta a quanto possível implica num focinho largo em sua extremidade; uma dentição curvada, como a dos Collies, é indesejável.

PESCOÇO: Deve-se verificar com atenção a posição da inserção do pescoço com relação à cernelha pois algumas linhas de sangue americanas apresentam uma curvatura na inserção que da a impressão da cernelha localizar-se mais atrás (maior angulação escapulo-umeral).

ANTERIORES: Por ombros bem colocados, entende-se um ângulo de ombro de 45o, mas para o Lhasa Apso um Cão de proporção retangular, um ângulo de aprox. 40o é suficiente para uma boa movimentação. Devem ser penalizados exemplares com ossos curvados, isto sem contar as demais faltas penalizáveis como cotovelos abertos, mãos francesas, etc. Atenção também com munhecas fracas apoiando-se sobre o solo.

POSTERIORES: Não devemos esquecer que o Lhasa Apso provém de regiões montanhosas devendo, portanto, estar hábil a pular e vencer obstáculos. Os posteriores são desenvolvidos não para suportar peso, mas para impulsionar. Uma correta angulação coxo-femural de 90o é adequada, devemos verificar também os defeitos mais comuns como jarrete de vaca ou de foice, os posteriores devem, portanto, ser retos e paralelos vistos de trás. Por ser uma raça cuja criação iniciou-se sem bases cinófilas, encontramos muitos exemplares com defeitos de aprumos nos trens tanto anteriores como posteriores, que devem ser penalizados, entretanto, quando encontramos animais com estrutura admirável devemos considerar este fato como extremamente desejável tanto para a criação como para a pista.

PÉS: por ser um cão bem estruturado e musculoso, os pés devem estar aptos a suportar o peso e ao trabalho, portanto fortes almofadas plantares são requeridas, ao contrário de outras raças como Shih Tzu ou Pequines. De preferência bem pigmentados; não deve-se encontrar ergots nos posteriores.

CORPO E TAMANHO: o Lhasa Apso é um cão retangular, o que de certa forma se contradiz com o termo compacto, que pelo glossário do AKC significa "de corpo curto", na realidade o que se deseja afirmar é que é um cão musculoso ("sólido") e pesado (nunca um "Toy") e que as proporções são tais, que sua aparência não dê a impressão de um cão longo. Algumas proporções, ângulos e medidas consideradas preferidas são:

a) Altura 7,5 X Comprimento 10
b) Cabeça 1 X Comprimento do corpo 3
c) Comprimento do pescoço e cabeça pouco menor que a altura
d) Ângulo do pescoço em relação à escápula aprox. 90o
e) Ângulo de escápula com relação à horizontal aprox. 40 a 45o
f) Comprimento do úmero pouco menor que a escápula
g) Focinho com aprox. 4 cm de comprimento
h) Focinho 1 X crânio 2
i) Ângulo escapulo-umeral de aprox. 90o
j) Ângulo da tíbia e fíbula aprox. 90o com o fêmur
k) Jarretes perpendiculares ao solo
l) Inserção da cauda acima da articulação da pélvis com fêmur, portada caindo sobre o dorso
m) O dorso deve ser em nível com o solo


Perfil do Lhasa Apso - Proporções, ângulos e medidas

Todos estes aspectos devem ser analisados através de uma minuciosa apalpação, sendo complementada pela crítica observação da movimentação.

ANDADURA E MOVIMENTAÇÃO: Não existe uma movimentação específica para os Lhasa Apsos, como ocorre, por exemplo com os Pinschers Miniatura ("Hackney") , Pequineses ("Roll"), Shih Tzus (leve "roll") e Chow Chows ("saltitante") sendo estas faltas nos Lhasas. 0 correto balanceamento entre frente e traseira permitirá uma movimentação solta e com adequada propulsão.


Um Lhasa Apso de correta estrutura deve mostrar-se assim durante o trote.

No trote, um movimento típico de dois ritmos, quando duas patas transversalmente opostas tocam o chão concomitantemente, o rastro deve tender ao "Single Tracking" o que não será alcançado plenamente levando-se em conta o comprimento , largura do corpo e as pernas relativamente curtas. Ver esquema.

Um dorso em balanço na movimentação pode indicar uma série de faltas, inclusive uma propulsão exagerada dos trens traseiros (por sua vez provocada por outras faltas) que faz com que o lombo do animal "pule". A movimentação traseira deve ser o suficientemente aberta para que possamos ver as almofadas plantares. Problemas de aberturas de cotovelos, ossos curvados bem como desbalanceamentos entre diferentes pernas podem ser analisados pelo balanço lateral da pelagem que deve ser uniforme e ritmado.

CAUDA: A cauda deve ser longa; a expressão "gancho de panela" pode ser comparada a uma cauda embandeirada, i. é com inserção alta mas não caindo adequadamente sobre o dorso. Podemos imaginar como correto que, de perfil a cauda deveria confundir-se com a cabeça; portanto uma cauda "achatada sobre o dorso também não é a mais desejada.

PELAGEM: É de suma importância a inspeção táctil da textura da pelagem do animal, aparência fina e muito subpelo (aparência fofa) são indesejáveis. Deve-se ter a impressão de que um pente pode correr com facilidade pelo pêlo. Em filhotes levar em conta a idade e possibilidade de mudança da textura.

COR: O novo padrão elimina qualquer preferência de cor , distinguindo com isto uma nítida preocupação com estrutura e tipo.

TAMANHO: No começo dos anos 80, principalmente nos Estados Unidos da América, houve uma tendência ao aumento do tamanho dos animais, o que tornaria os animais mais vistosos em pista. Hoje nota-se um trabalho para retornar-se para próximo ao padrão. O tamanho preciso é de importância secundária, o vital é a sólida aparência e movimentação dos exemplares, diferenciando-os de qualquer "Toy" ou cão de luxo. A diferenciação comentada sobre as fêmeas poderia ser interpretada como o "Tipo" extremamente distinto entre machos e fêmeas; nunca um macho deve dar a impressão de fêmea ou vice-versa.

FALTAS: qualquer afastamento dos pontos precedentes deve ser considerado uma falta e sua gravidade deve ser considerada na exata proporção do desvio.

NOTA: os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, plenamente descidos na bolsa escrotal.

Os comentários feitos neste padrão foram redigidos e compilados por Mario Knoll, criador da raça e árbitro pela CBKC e FCI e exprimem únicamente sua opinião pessoal

Bibliografia e Fontes de consulta:

Manuscritos e conversas com:


 

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